Diretora de escola particular de Brasília diz a uma mãe com câncer: ‘sua imagem é agressiva’;
irmã da vítima denunciou caso nas redes sociais — Foto: Facebook/Reprodução

Inspiradas pela vontade de fazer o bem, um grupo de voluntárias se reúne uma vez por mês para escrever mensagens de apoio a pacientes e familiares de pessoas com câncer no Distrito Federal. A iniciativa recebeu o nome de “Cartas para um amor”.

As cartas são escritas à mão em um encontro que segue o modelo de “chá entre amigas”, explica a idealizadora do projeto, a professora Carla Cavalcanti. O objetivo, diz ela, é passar mensagens positivas e fortalecer as pessoas que se sentem fragilizadas pela doença.

“Quando a gente se conecta, a gente se fortalece como seres humanos.”


Carol Duarte, de 41 anos, é uma das voluntárias. Careca por causa da quimioterapia, a assistente administrativa conta que decidiu “distribuir palavras de autoestima” depois que foi vítima do preconceito.

Em agosto passado, uma freira do colégio onde a filha dela estuda sugeriu que Carol usasse peruca e chapéu para esconder a perda de cabelos. Segundo a diretora da escola, a imagem de uma “mãe careca” era agressiva.

“Eu não aceitava minha careca, estava com a autoestima muito baixa. A freira atacou minha ferida, porque era a primeira semana que decidi sair sem o lenço.”

Carol Venâncio luta contra o câncer há 4 anos; diretora de escola particular em Brasília sugeriu que ela
usasse perucas e chapéu — Foto: Camila Venâncio

O caso foi parar nas redes sociais. Muitas pessoas manifestaram apoio e Carol diz que recebeu milhares de cartas de apoio escritas por pessoas que ela nem conhecia.

Em uma das cartas, a professora Carla Cavalcanti a convidava para um “chá entre amigas “. A troca de afeto, segundo Carol, resultou em parceria para o projeto.

“Aconteceu tanta coisa boa na minha vida, chegaram tantas cartas lindas. Na época, eu estava me sentindo um lixo e hoje estou feliz redistribuindo esse amor.”

Voluntárias escrevem cartas destinadas aos pacientes com câncer — Foto: Arquivo pessoal

O projeto
Na 4ª edição, o “Chá das amigas – Cartas para um amor” já distribuiu 100 cartas. As mensagens são redigidas durante um encontro mensal, regado à conversa sobre “positividade para tirar o foco da doença”, conta Carla.

Os textos, geralmente, não são para um destinatário específico. As cartas vão para os hospitais do Distrito Federal e, lá, os profissionais de saúde fazem a triagem e a distribuição.

Quem recebe – seja um paciente terminal ou alguém que acabou de iniciar o tratamento – vai se sentir contemplado, garantem as voluntárias.

“Alguém sempre vai ser o grande amor da vida do outro. Isso é certo.”

Voluntárias do projeto ‘Cartas para um amor’ — Foto: Arquivo pessoal

Como participar
Os encontros são abertos ao público. Os interessados podem se cadastrar pelas redes sociais do projeto. As edições são intinerantes e temáticas. Neste domingo, o tema será “vida breve, que tal ser mais leve?”.

“Essa é a ideia: mostrar que todo ser humano é digno de amor, de carinho e de atenção plena, principalmente quando está fragilizado.”

Mulheres durante encontro mensal do projeto “Cartas para um amor’ — Foto: Arquivo pessoal

Quem quiser ser um voluntário para escrever as cartas aos pacientes pode se cadastrar no banco de escritores do projeto. A iniciativa é gratuita e não tem limite de idade para a participação.

Por Marília Marques, G1 DF

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